Blade voltou — e é hora de lembrar por que ele salvou o cinema de super-heróis antes de existir MCU

Blade voltou — e é hora de lembrar por que ele salvou o cinema de super-heróis antes de existir MCU

Em 1998, o cinema de quadrinhos estava em crise.

Batman & Robin (1997) tinha sido um desastre tão grande que a Warner Bros. congelou a franquia por oito anos. Os executivos de Hollywood tinham chegado à conclusão de que filmes de super-heróis não funcionavam para adultos. Eram coisa de criança. Eram kitsch. Eram vergonhosos de assistir na fila da pipoca.

Então Blade chegou.

A cena que mudou tudo

A sequência de abertura de Blade (1998) começa num armazém industrial. Um homem é conduzido por uma multidão até o que parece ser uma festa. As portas se abrem: é uma balada. O DJ é um vampiro. A música bate. E então o teto começa a chover sangue.

Ninguém tinha visto isso num filme de quadrinho antes.

Não era infantil. Não era inocente. Era adulto, violento, com estética de videoclipe e uma trilha sonora que fazia o coração acelerar. E no meio daquilo tudo, Wesley Snipes — de óculos de sol, sobretudo de couro e expressão de quem já viu esse tipo de coisa mil vezes — entrava e começava a limpar o ambiente.

Blade arrecadou cerca de 131 milhões de dólares numa produção de 45 milhões. Foi um sucesso que quase ninguém tinha previsto.

Por que Blade importa para a história do MCU

A Marvel Entertainment estava à beira da falência em 1998. Havia vendido os direitos de dezenas de personagens para diferentes estúdios. Blade foi produzido pela New Line Cinema, não pela própria Marvel.

Mas o sucesso do filme foi o que convenceu Hollywood de que a Marvel tinha propriedades viáveis. Que personagens de quadrinho podiam gerar dinheiro sério. Que o público adulto topava entrar nesse universo — se o filme fosse bom.

Sem Blade, provavelmente não haveria X-Men (2000). Sem X-Men, provavelmente não haveria Homem-Aranha (2002). E sem Homem-Aranha, a cadeia que levou ao MCU teria sido muito mais longa, se é que chegaria a existir.

Blade é um dhampir — meio vampiro, meio humano

O personagem nasceu nos quadrinhos da Marvel em 1973, criado por Marv Wolfman e Gene Colan, com estreia em Tomb of Dracula #10. Eric Brooks se tornou um dhampir depois que sua mãe foi mordida por um vampiro durante o parto: ele carrega a força e os poderes dos vampiros, mas sem a fraqueza à luz do sol. A única fraqueza que restou foi a sede de sangue.

É um personagem construído sobre o conflito de identidade. Pertence a dois mundos e não pertence completamente a nenhum.

Mahershala Ali e o novo Blade

A Marvel Studios anunciou em 2019, no palco da San Diego Comic-Con, que o novo Blade seria interpretado por Mahershala Ali. De lá para cá, o projeto passou por uma série de atrasos, trocas de roteirista e reinícios — daqueles que testam a paciência de qualquer fã.

O que se sabe é o essencial: Ali ganhou dois Oscar (Moonlight e Green Book). Sabe construir personagens com camadas morais. Entende conflito interno como poucos atores da sua geração.

Blade, o personagem, foi feito exatamente para isso. Um caçador que precisa controlar a própria natureza para não virar aquilo que caça. Se o novo filme entender que essa é a história — e não só a ação —, o dhampir tem tudo para abrir uma porta de novo.


Nostalgia de gibi por aqui hoje. Veja também nossa análise de Toy Story 5 — outra franquia que voltou para mexer com a memória de uma geração.

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📌 Arquivo Cósmico

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